Tuesday, March 08, 2005

Sonhos

Iluminado por uma luz difusa, distante e artificial é exactamente como me sinto. Sinto-me perdido, sem a luz desse astro celestial que apazigua o espírito e projecta para longe a sombra que carrego dentro de mim. É tempo de lua nova, é dia. Sinto-me um fragmento daquilo que uma vez fui, que alguma vez poderei vir a ser. Sinto-me vazio, apático, dormente.

A luz do sol teima em atirar a minha sombra para o meu lado. Para onde quer que vá, ela está lá. Vigiando-me, sempre pronta a atravessar-se no meu caminho. À vista de todos, sem quaisquer preconceitos. Por isso prefiro a noite, onde esta outra parte de mim se funde com todas as outras silhuetas que habitam esse mundo alternativo.

Por isso passo os dias ansiando, qual pastor impaciente, pela noite calma e serena, de onde vem toda a luz de que preciso. Nunca me senti tão calmo, e livremente dependente de algo como agora. Tudo o resto funde-se também com as trevas, deixando de ter a importância que tem durante o dia.

Apesar de tudo isso e de saber que, à semelhança do Sol, a Lua também nasce todas as noites, aqueles momentos em que não a vejo turvam-me o pensamento e trazem ao de cima o que de mais irracional há em mim. A agonia de pensar que esta pode não voltar a aparecer, assombra-me as noites de Lua nova, até conseguir adormecer. As simples conjecturas da sua possível ausência provocam um turbilhão de sensações, sentidos, emoções, sentimentos.

Mas tal como o pastor, tento adormecer a recordar os momentos em que já a vi em todo o seu esplendor, na esperança de poder sonhar com isso. Porque de momento é tudo o que tenho. Sonhos